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sombra do aceno
há um deserto dentro de mim
construído de areia branca finíssima que quando piso, engolem meus pés, solapam minhas raízes e faz com que ande a esmo nesse deserto não há oásis há linha do horizonte infinita, não há canto dos pássaros, há um silêncio medonho repleto de mensagens secretas há um sol escaldente que arde aos olhos, que arde na pele e queima a esperança de fugir vislumbro distante uma saída, um túnel sem luz, um diapasão a marcar o compasso e, cada ida binária sobra descompassado meu coração estranho coração que ama o deserto e a quietude, que ama o possível e o palpável, e fica a beira do abismo entorpecido, hipnotizado. por que todo abismo gira? cirandeia flashes, imagens, sons e sensações esquecidas amarelecidas num papel qualquer no verso do seu bilhete dizia: para ser feliz. seria uma heresia, se tudo não fosse tudo mentira ou apenas manobra de discurso. suas palavras, seus gestos e até sua voz me enjoam mortalmente e, ao vomitar tanta semântica descubro um meio de puficar a dor de ter se enganado sozinha, ao caminhar pelo deserto ao escolher o caminho errado sem deixar rastro, gratidões ou pelo menos boas lembranças. Não sobrou nada, nem cinzas, nem fogo e a sombra do aceno de adeus.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 24/05/2008
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