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apenas por uma tarde
essa tarde as moitas
me espreitavam seguiam meus devaneios infantis, brincavam com a brisa e sofriam com chuva essa tarde, a porta subitamente bateu e, estrondo despertou o dragão tatuado numa porcelana e no fogo que expelia queimavam minhas quimeras juvenis lembrava dos vestidos de marujo, das manginhas apertadas em volta de braços finos, como pequenos gravetos prestes a quebrar minha fragilidade externa era ofensiva e paradoxal perto da linha reta e robusta de meu olhar fotografias deixavam-me ainda mais franzina e rija. um flash, e lá está o momento capturado, ficava empapelado, amarelado e emoldurado em algum lugar esquecido da casa essa tarde, os sinos das igrejas tocavam rezando em silêncio pelos mortos e ecoando pelos vivos. um pássaro brejeiro pousa na janela e de soslaio se precipita em olhar o interior a liberdade das moitas a intangibilidade dos ventos o encantamento da tarde e, tudo que eu tinha era um clique, um momento eternizado numa retina digital. Mensagens instantâneas, afetos surreais geram amigos, inimigos e conhecidos. Só o homem não se reconhece nas sombras, Só o homem não se antevê no espelho... Prefere amargar a esperança em ser tudo aquilo que gostaria de ser nem que fosse apenas por uma tarde.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/05/2008
Alterado em 25/06/2008 Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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