![]() |
|
![]()
Incêndio subterrâneo
Há um incêndio debaixo das águas mornas
de suas lágrimas Elas não apagam as chamas Que queimam idéias Que queimam projetos em tubos fechados Que remoem mágoas Há um incêndio a crepitar minha alma velha A reduzir em cinzas Velhas esperanças Velhas perspectivas Velhas analogias antológicas Que dormiram em prateleiras repletas de ácaros. Há ruínas dos sonhos antigos Não cumpridos E esquecidos durante o choro Acalentado por travesseiros Há mãos santas que esculpem Santos-humanos Há professores que esculpem Sábios em corpos humanos Criam almas à procura de esperanças Aonde só havia perplexidade Angústia e existência Há os que transformam a mera existência Na mais absoluta e cristalina essência Que a tudo impregna de alma, Que a tudo humaniza e toca. Com a magia de compartilhar, de multiplicar, de ser muitos e ao mesmo Tempo um só... Há um incêndio por debaixo de Seu suor salgado De seu cansaço criptografado Nas pálpebras Há, sobretudo, ebulição. Fervem-lhe as veias, as pernas, as mãos. O frisson de estar vivo, Estar sobrevivendo à incógnita do futuro.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 24/06/2008
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


