![]() |
|
![]()
linhas sobreviventes
Nas linhas de seu rosto
Leio palavras não ditas E, as palavras malditas de desamor perfídia E, tristeza profunda e profusa. Nas linhas de sua mão Há sortes, viagens E mistérios... Sua laboriosa mão cansada com calos E com marcas invisíveis de sangue e lágrimas, de história e estórias. Dormem em suas mãos palmas, gestos e acenos de adeus. As despedidas incontáveis sacudidas pela irreverência de se expressar... Nas linhas de teu corpo Leio os desejos secretos ainda mortos e sepultados sob roupas, encortinados da luz do sol. Essa morte lenta Que chamam de crescimento Envelhece-me. Promove lixiviação interna de minhas ingenuidades, de minhas esperanças românticas E só sobra uma lucidez amarga e ávida por não acontecer. Há nessas linhas todas o emaranhado da alma o traço incontido e incompleto de sobrevivente O sobrevivente em pleno deserto.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 01/07/2008
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


