![]() |
|
![]()
espera
Crueldades explícitas
Enormes inexplicáveis vazios Silêncio que é corruptela da palavra espera Interminável espera. Espera-se para nascer Espera-se para morrer Espera-se infeliz pela felicidade Espera-se e, se envelhece a cada dia O infinito se encurta As semânticas ácidas dos desesperançados Alcançam os velhos que aguardam serem abrigados por suas tumbas Religiosidade passiva Adoração e hemoptise. Úlceras sangram silenciosas Lacerando fomes esquecidas A luva envolve a mão e o gesto A lágrima envolve a dor e o rosto A fisionomia envolve o tempo e a estética Em delicadas dobraduras Superpostas Expostas Num ensaio prenuncial da morte. A reflexão da pele e de olhos turvos. Crueldades explícitas Calo indecentemente e boquiaberta Calo-me Aos poucos a vida vai limando da alma a indignação, o inconformismo o dinamismo patológico De quem não aceita. Não aceita, mas vivencia tanto quanto ao pôr-do-sol. Morre a humanidade a cada dia, Num extermínio exótico, ritualístico com a conivência plácida dos omissos, com a cegueira dos distraídos com a conveniência dos políticos. Eu aqui a espera da espera aguardando a arte de guardar o intangível.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/08/2008
Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


