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circunstancial
a sólida solidão escorrega
pelos ladrilhos do banheiro correm pelos ralos, rasteira a espreita de um movimento de vida além do silêncio, de verdade além da ilusão a sólida solidão cai contundentemente dentro de minha alma e seu estrondo arranca minha sintonia e catatônica cato os caquinhos cristalinos do que antes fora imagem e, hoje é ruína... diante do degrau o titubeio a hesitação do passo a perna trêmula o movimento corrompido dos músculos que doem solitários e solidários com a dor da alma... meus olhos ardem com o fogo cruel dos dias com a miopia contumaz das criaturas com a brancura inexplicável dessa manhã a chuva lá fora, faz de meu banho um desperdício.. e friagem dos ladrilhos parece congelar pensamentos mórbidos... sólida solidão sórdida que nos faz inumanos, que nos coisifica e nos torna órfãos de nós mesmos, sem identidade, sem alento, sem certeza, sem a mão amiga que ampara pelo caminho. restam os buracos, restam as ausências, as interrogações inúteis e retóricas. perguntas sem respostas e respostas sem nenhuma pergunta... resta o fato instintivo de duvidar da própria solidão. E, mirar nos ladrilhos essa primavera contrita e circunstancial.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 30/09/2008
Alterado em 30/09/2008 Copyright © 2008. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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