![]() |
|
![]()
Sem-graça
Nasceu o bebê imune ao câncer, Imune ao tempo Suas células não envelheceram o tempo para esse bebê não passará Tudo que a vida lhe legou foi uma pequena eternidade científica Comprovada em laboratório Testada em condições normais de temperatura e pressão E, se não fosse isso. O bebê perfeito, será uma criatura plena. Absolutamente saudável Conhecerá a morte somente quando quiser. Não terá solidão, desilusão e nem tristeza... O que será desse bebê com super-poderes? Será que ultrajará as babás... O que será que irá decretar o fim da humanidade inteira? Nasceu o bebê imune ao desamor, ao desafeto, ao destino ingrato e cruel. Às palavras ásperas, aos gestos brutos. Será eterno e sublime. Crescerá firme e entenderá o infinito, Percorrendo a linha do horizonte com o olhar da manhã ao acordar. E, a tarde. entenderá o sol em seu poente. A chuva, seus raios e lampejo dos trovões. Reconquistará a primavera, a docilidade afável do outono E, se guardará do frio Do frio eterno das geleiras Do frio da indiferença. Será imune. Perfeito. Inexorável. Será humano? Terá vestido a capa dos superpoderes. Voará mais alto. Atingirá o píncaro em um só segundo, E perderá a graça.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 27/01/2009
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


