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esquecer diariamente
Tem hora que a gente esquece
o nome da rua, o nome da marca, o nome da cor, o dia em que se está. Tem hora que o véu branco encobre tudo literalmente e cerimoniosamente todas as informações, todos os vestígios e,todas as pegadas, apaga todos os caminhos. E tudo apagado borrado ou ilegível permanece na memória permanece latente dormindo incompleto e infinito. E brinca de esconde-esconde Nessa cegueira consciente Existe um saber dormente, sensações astrais e espirituais a nos levar algum conhecimento, ou reconhecimento. Um cheiro, Um risco, Um som, Um toque, Ou simplesmente até um esquecimento Preciso esquecer de esquecer Parar de brincar de gato-e-rato comigo mesma sempre correndo atrás de pistas. Atrás e por trás das palavras, do ritual das semânticas fechadas As oclusivas ocultas dos dialetos guturais Preciso. A bússola, o aparelho de pressão e o dardo Eles se esquecem de errar. De mostrar o infinito ou a imortalidade A vida se esquece por entre as prateleiras dos livros Por entre a poeira sub-reptícia de seus olhos. A vida se esquece por entre as imagens ilusórias por onde desfila a realidade.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/02/2009
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