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lábios errantes
quero lábios errantes
palavras ébrias soltas e desconexas quero metáforas improváveis e perecíveis numa hipérbole redundante quero teu verbo secreto e rufião a me explorar despudoradamente quero o farfalhar dos fonemas sibilados e num cochicho entender a sedução subliminar e, se nada disso for possível resta a imaginação vou saqueá-la, vou seqüestrá-la e torturá-la com mil e uma possibilidades inventadas instantaneamente a girar num corpo sem hemisfério, sem eixo de simetria quero a assimetria absoluta dos sentidos contundentes quero gritos,gemidos e grunhidos ininteligíveis a falar da razão dos instintos. falsificando a filosofia da indiferença do risco indiscreto das margens do rio que já secou. as montanhas que hoje são pó das nuvens que foram chuvas e que já foram lágrimas do Olimpo. quero nos lábios errantes ouvir o som de meu nome e emprestar identidade ao momento.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 11/03/2009
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