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flor de cáctus
Minha flor de cáctus
Nascida entre os espinhos Mediante a agrura do calor escaldente Dos raios de sol farpados de luz. Tanto inferno de cinzas e ressentimentos Tanto banimento e sombra Tanto medo e desconhecimento. E tudo que esperavas era apenas água. Tantas almas vivendo na réstia dos dias Na solidão das palavras cruas Nos segredos de portas e gavetas trancadas Tanta dor e esperança escoadas no ralo interno da vida... perdidas no abismo insano e inexplicável. Minha flor de cáctus Bromélia debochada diante da chuva E, no calvário do árido Guarda em sigilo uma fonte hídrica, Um socorro secreto na hora de redenção. De onde vem sua força? De onde vem sua onipotência ? Mandacaru urbano e insólito posado tosco nos trilhos do caminho Visgado pelo tempo e remorso. Sobreviver é preciso. Lágrimas da chuva de ontem Regaram a esperança de hoje Minha flor de cáctus Eu sou seu espinho mais próximo e mais tímido... Estúpido em querer lhe proteger... Enquanto que é a sua beleza que que me defende da iniquidade do mundo. As farpas solares abandonam o dia Anoitece e misteriosamente a flor de cáctus Faz dormir toda uma primavera nascida entre pedras. Esculpida delicadamente nas larvas quente das paixões.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/04/2009
Alterado em 22/02/2010 Copyright © 2009. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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