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Palavra
A palavra é minha aia
Minha serva cega e surda A perseguir laboriosamente O que devo dizer, O que devo sentir, O que devo verbalizar. Mas há coisas indizíveis Coisas de silêncio ritual, Coisas que são substanciais Absolutas E condensadas em si. Como oxigênio Como suspiro E poesia espalhada no pólen E levada pelos passarinhos pelos descaminhos da vida. A palavra é minha aia Nasce com alvorecer E, mesmo quando estou rouca Lá está a palavra incrustada no corpo, Cristalizada na alma Como amálgama Como véu que deixa ver e esconde Como o vento que sussurra Estranhos segredos em silêncio. Observa a aia. Reverencie a aia Seu labor, seu som, sua cor E sobretudo sua história. Conte as palavras mais importantes de Sua vida. Serão crenças, Serão valores Será você mesmo picado entre fonemas, E disperso no vento.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/04/2009
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