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Coisifique
Coisifique-me
Coloque-me na gaveta imaginária dos sonhos Coisifique-me Coloque-me a enfeitar sua vista Na prateleira dos afetos descartáveis Coisifique-me É melhor do que simplesmente me ignorar Coloque-me num canto da sala Numa fresta, Num desvão da escada, Numa parede pintada de mostarda No gosto irreconhecível de nostalgia Coisifique-me será fácil Porque coisa não se aborrece Porque coisa não chora, Não grita e não sofre Apenas se desgasta no tempo, ruí, desaba Perece infinitamente até desaparecer . Coisifique-me E me esqueça na prateleira a colecionar pó e ácaros a ostentar uma lembrança Que todos tentam esquecer. Coisifique-me Pois a pessoa que há no personagem diante de seus olhos Não é palatável, Não é moldável Não é manipulável... Sou o resultado de uma história Recortada por sentimentos, Ausências e alguns traumas. Coisifique-me. Assim poderei abominar a humanidade sem nenhuma culpa.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 04/09/2009
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