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![]() Tenho a alma bolorenta Jogada no recanto do corpo Por vezes expressivo, por vezes inerte e imoto Tenho a alma bolorenta E meus olhos expelem um flash amarelado Com contornos queimados pelo tempo Pela fogueira das vaidades Pela estética retorcida dos interesses. Esse bolor interno Que me consome por inteiro, Adentra-me pelos flancos, Pelas narinas, Pelos poros. Contamina minha espada, Minha palavra, minha lavra De maneira que por vezes sou tão formal... Que supero a própria forma Disforme e contemporânea... Fica tudo enquadrado num Quadrante neandertal Seguimos às cegas apenas tendências... Perseguimos reticências dependuradas No quadro da vida Composto de olhares, expressões, gestos ou Apenas insinuações Não bastam... Não bastam também os protestos... A velha dignidade dos desvalidos, Não basta a febre sã dos Aflitos e inconformados... Pois o tempo absoluto só conhece seu próprio ritmo... A pedra, o cais, o céu e a montanha, Seu rosto e seus olhos Envelhecem todos os dias, Inexoravelmente em todos dias Verticalmente iguais Em reverência inata à lei da gravidade. E, no chão enterramos nossos mortos... E, no chão enterramos vivas nossas esperanças de poetas e loucos. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 26/07/2010
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