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Vigia
Vigia teu coração de perto
Conspire com os ventos Converse com as nuvens Pois tudo é passageiro Nessa longa viagem onde nem a morte é o fim. Nem a idéia do fim, é afinal o derradeiro momento. Vivemos múltiplas despedidas diárias Do dia que acabou, Da emoção que secou, Da mágoa que cicatrizou Do corpo que enrugou e perdeu força Da vida entrevada contida nas frestas e nas miopias Vigia teu coração de perto Ancora sua razão na alma Para que seja finalmente livre e plena Passeie no horizonte das emoções E tenha um plano de vôo e não de aterrissagem Lance-se ao mundo e Deixe o mundo lançar-se em você Nessa mistura indissociável Seja um composto genético contagiante Pois quando tudo for embora Restará moléculas, átomos, cheiros e fagulhas De você dispersas e concentradas A anunciar que você esteve aqui. Fez seus caminhos pelos passos. Riscou as palavras com seu verbo E viveu a seu modo. Tendo a tristeza e a alegria Tendo o tudo e o nada Costurado na bainha do tempo.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 03/02/2011
Alterado em 03/04/2011 Copyright © 2011. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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