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autismo
eu sou mesmo autista
e de alto de meu mundo só enxergo eu e a enorme solidão que há nas intermináveis repetições sou a lágrima que vem do nada e cai imediatamente num vácuo das emoções e sem sons, ruídos ou vaidades deixa o corpo rijo e desidratado eu sou autista e no labor de arte esculpo em pedra viva a dor ausente, o pressentimento da finitude, a arma, a alavanca, o escudo e o temor a Deus e, de repente, de um silêncio rotundo, do nada fez-se o instante que me parecia uma eternidade agonziante a contemplar terra, fogo, ar e água e quanta água... há neste temporal e na música da borrasca, na cantiga tilintante das águas percorrendo solos e pedras me enlevava ao sono languido e ao cheiro da terra que rondava minha infância e fecundava minha memória com as raras recordações de menina
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/02/2007
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