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Entardecendo
Quando caiu a tarde
o sol vermelho também caiu dentro de mim inundando minha alma fria de recordações e nos laivos violetas do céu caminhavam suspiros incontidos havia reticências vagas pontilhadas por milhões de vagalumes perpetuados numa treva medieval E sob a abóbada celeste a tarde morta jazia dentro do cristalino o dia acabou passou tão impunemente que não senti não lhe dirigi palavras e nem o peso da gravidade, da penumbra e da neblina que me furtava as imagens e as sensações na linha retrospectiva só havia parcas reminiscências assim dormentes sob a retina como um carinho leve sobre a face, feito pela brisa sobre a mão de seda que acariciava o frio veludo áspero e rebelde da mente quando finalmetne veio o véu negro da noite o brilho da noite ainda me parecia enigmático perguntava-me sobre a vida e, eu silenciosa respondia com meu simples contemplar eu era mais um reles animal sobre a Terra encantado com a vida e preocupada com a morte, com imensa finitude das coisas o que me deixava desoladamente feliz e triste num só momento. Eu estava apenas me entardecendo.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 23/02/2007
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