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Viagem
Toda viagem tem a partida Um adeus Que ainda que breve É aceno melancólico, Um olhar oblíquo procurando O último fiapo de horizonte ou esperança Toda viagem em idas e vindas Trazemos na bagagem A alma embalada de cheiros, sentimentos, ressentimentos, delicadezas, brutalidades E de um inexplicabilidade intensa Pois a alma que parte, Não é a mesma alma que regressa Há um acréscimo Como nas margens dos rios, Dos mares, Segredos afloram, Tristezas dissipam Felicidades aportam Sem amarras num cais flutuante Distante da terra E dos homens. Em cada viagem Olho para minha bagagem E fico a pensar No que se resume A existência humana A passagem de uma criatura Perante o criador Ou perante sua fé ímpia Em nada Ou em absolutamente tudo Que seja palpável e sólido como as incertezas da partida Nessa viagem Levo uma cola misteriosa Para colar cacos de espíritos E tentar resgatar o Gosto da vida, A essência da alegria ou A misericordiosa paciência De viver mais um dia.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/03/2007
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