![]() |
|
![]()
abraço onipresente
como pude viver tanto tempo
sem esse abraço pleno e onipresente como pude estar tanto tempo aqui sem verbalizar meu amor. sem chamar seu nome senão apenas com olhos e gestos secretos... como pude ver somente o que há para se ver, se eu ainda não pudia enxergar por causa da ausência de luz e nas mirabolantes trevas eu sabia de cor cada detalhe de teu rosto, tua ruga, tua expressão, tua careta sofrida, seu gemido lânguido e sequioso de uma só e reles reação minha como pude passar por tudo isto superar a ausência, a perda e, depois a essa estranha dormência que transforma seres humanos em ígneas pedras incandescentes que rolam de dentro da alma... e saem inexplicavelmente inexpressivas e mortas como pude esquecer-me do afeto da delicadeza, das flores do jardim, e tudo ser assim tão ríspido, prático, automático, eletrônico, e absolutamente tão duro... fui tão dura comigo mesma, dura caminhada, duro passo até o cadafalso onde amputei um coração de menina órfão e frágil para nascer guerreira e imortal
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 25/03/2007
Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


