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Outsider
Meu pensamento absurdo
naufraga no mar de palavras Morre sufocado pela semântica óbvia da fonética escandalosa. Há dores sem gemidos. Há feridas sem sangramentos. Há lutas, guerras e vencidos. Cujos corpos não permanecem estendidos no chão do apocalipse. Quem vigia os vigilantes? Quem guarda os guardiães de tudo? E, se o tudo é nada. Irrisoriamente nada. Imaginariamente ausência, espasmo ou silepse. O engano não está no gênero. Nem a unidade está no plural. A consciência está exatamente nesse pensamento absurdo. Que abortou a lógica. Que assassinou a metafísica. Que chutou a moral nas partes íntimas. E, riu da hipócrita ética dos miseráveis. Meu pensamento absorto Devora essa realidade tecnicolor Essa comunicação fluída. Chats, redes sociais e torpedos Que instanteneamente revelam o agora. Mas não mostram nenhum futuro. Nem há mais perplexidade. Não há mais nada. Apenas o mormaço das ideias A queimar a cara da poesia. Esse invisível mundo. Mudo, inepto e absurdo. É apenas comum, banal e cinicamente dialético. Não digo tudo que penso. Não sinto tudo que digo. Não estou nessa geografia vulgar e óbvia. Sou confessadamente apenas mais um outsider.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 01/07/2013
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