![]() |
|
![]()
Remorso
Faço versos perversos sem lágrimas .
Na seca intensa de meu rosto assombra-me o desencanto solene Não tenho pranto e nem dor... Há o vazio extenso da indiferença. O sangue de meus versos Evaporou-se pelos ventos E, nas madrugadas frias e escuras perdeu-se em descaminho. Contrabandeou afeto do passado distante e plantou no cimento do presente. Assistirei o afeto morrer lentamente sem que de meus lábios o selassem com o romance das palavras doces. É uma autotortura. Minha angústia crivada de lembranças fica a desconfiar se isso afinal seria felicidade Se os corpos que se encaixam eram fiéis ao sentimento, ao momento ou mero desalento. Ou se apenas praticavam a poesia corporal ao relento e diante do descalabro dos tempos. Sua mão ainda firme, Seus olhos de guerreiro cansado E uma fresta em seu coração. Iluminou-me todo o dia. Retirou do canto da minha boca o amargor Do deserto pavimentado em meu redor. Saudade ficou triste. Ausência ficou colorida. E, recolho-me ao desvão do remorso que dói no peito e pinga quente sobre um coração morto.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 09/08/2013
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


