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Primavera presente
Na primavera de hoje
As flores estão mortas Murchas e desmaiadas Por excesso de calor, sol e tristezas Na primavera de hoje O pólen também é natimorto Dentro do centro das flores E abortou outras possíveis primaveras O lírio lá fora, em meio ao lamaçal, Desafia a lógica estética e a higiene ortodoxa. As papoulas lá fora gemem ao vento. Num desvario lânguido. E não sabem que a insanidade é reinante. Na primavera de hoje Amarga vida é traduzida pelas Flores silvestres Pequenas, miúdas e tímidas Nascem pelos cantos, nas frestas Pelo desleixo ou distraição Na primavera de hoje As cores estão geométricas Condensadas por uma luz espectral Os amores secretos da primavera não desabrocharam Os segredos tidos pouco antes de dormir Se apagam no sonho De que é de novo inverno E a friagem faz congelar o tempo E a memória.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/09/2013
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