![]() |
|
![]()
Essências
Sonho o ideal. Que não se encaixa no real. As pedras semânticas falam pelo caminho. E os fiapos de minha roupa Tecem uma teia civilizatória esquisita. E nos vestimos de significados indecifráveis. E as cores borram nossa caligrafia genética. Que já estava aqui bem antes de eu existir. Recolho metáforas espalhadas na publicidade local. Na cidade a torre de marfim vigia o ébano extraído com sangue e dores. As devastações e insônias não despertam interesse. Mas, morremos a cada queda. Queda do cabelo, das unhas, dos ácaros e das árvores... Que se deitam sem berço explêndido Ou verso nobre. E as pobres máscaras que escondem faces sem identidade. Anônimos que desejam a história Contada pelos becos. Por gritos de corvos diante do milharal. Perante os espantalhos autoritários ou imaginários. Os fragmentos de desejos se perdem em gestos e músicas de fundo. Nos velórios frequentes E tão frios. A flor acabrunhada denuncia uma primavera tardia. Homenageia a alma que dissipou E transmutou-se em outra essência. Ainda não sabida. Ainda não percebida. Mas está lá. Inexoravelmente. Uma essência após a outra. Em silêncio tão exato quanto o infinito.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 25/09/2013
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


