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![]() Um olho vê tudo
Ou quase tudo. E o outro é fechado, costurado. Conhece intimamente as trevas e a indiferença Um olho mira e pondera. Outro olho ignora e se desespera. Um olho é instinto. O outro é suicida. Um olho acompanha a curva. E prossegue. O outro acompanha o espírito E enobrece. Distante da sensibilidade óbvia. A deficiência só opera milagres. Enquanto que a turba odiosa Apenas discrimina. Mas somos todos diferentes. Até quando somos iguais. E, alguns mais iguais que antigamente... Sobreviventes com um olho só. Com uma perna só. Com uma mão só. Com uma solidão do tamanho de um corpo inteiro. Que abandona nosso espírito Pois afinal quando morremos Todos então faremos parte do infinito. Um infinito só. Um infinito inteiro, mutilado e imenso. Costuram-se existências Num patchwork extraordinário Onde cada retalho é pleno. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 15/10/2013
Alterado em 15/10/2013 Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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