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![]() Sua boca não falava.
O que seus olhos denunciavam A boca cotejava o silêncio. Mas os olhos estavam atônitos de tanta semântica e sentimentos. Sua mão desenhava um fóssil de afeto encravado na rocha vulcânica dentro de seu coração. Na floresta petrificada moram as folhas Que exibem escarpas como espinhos… E as flores cortam o horizonte com cores e perfumes. A sombra era sólida e as nuvens líquidas. O azul de chumbo refletia nas esculturas de esmeralda morta, a esperança tardia no veio seco da caverna. A esperança era histórica. E o presente, o enigma decifrável. Pelas circunstâncias que conspiravam o final feliz que nunca aconteceu. Não sabíamos se era o final que não veio, Ou o começo que nunca aconteceu. Estar simplesmente se opõe ao ser. Uma gota de lágrima no canto de seu olho Era um oásis resplandecente. Que atestava sua sensibilidade ainda presente. Suas emoções compareceram pontualmente marcando ponto na face. Na face do tempo. Na face do vento. Na face sem rosto, anônima e vulgar. Do alto das montanhas emocionais Camadas sobre camadas sobrepostas à sobrevivência sofrida e cálida. As vezes sobreviver calado Pode parecer estar morto. As mãos ora expressivas, ora decepcionadas pelo abismo inatingível. Rente aos olhos Tão próximo e infinito. Os gestos patéticos se esgueiravam em vão, a fim de lhe tocar Como se a magia do toque ressuscitasse essências. Sem tato, a convivência era apenas imaginária e onírica. Seus olhos côncavos em oração fonética e sussurrante Contavam dores abertas e chagas explícitas juntamente com as saudades agonizantes. Fendas delicadas contornam a geologia humana… Do pó vieste e ao pó voltarás. E as raízes moídas espalhavam vidas inexplicáveis pelo meio do caminho. Curvas, retas e entrâncias resumiam do corpo e a fisiologia. Vidas, fatos e habitantes inesperados surgem no contexto tão-somente genético, histórico e atávico. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 16/10/2013
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