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![]() hoje eu sou excremento
de mim mesma jogado na louça fria do banheiro hoje fui expulsa daquilo que chamam sanidade enlouqueci como forma de sobreviver rompendo barreiras, construindo mitos e superando o incontornável e, principalmente transcendendo o óbvio e vulgar hoje estou fora de mim, fora do planeta regurgitando a genética. Procurando ser diferente daquilo que esperam, daquilo que me fizeram traindo raízes, tendências e principalmente contrariando o autoritarismo barato dos que desejam o poder. Hoje sou indomável. Sou abominável. Pois não procuro afeto e nem identidade. Não procuro razões nem fundamento Minha filosofia é apenas o presente filmado pela retina que o torna em passado em três reles segundos Tudo o que é nesse instante rapidamente torna-se o que foi... E, o futuro bate à porta convidando-nos para velhice. Para sermos ultrapassados. Quero ver você com o olhar da memória. Com os registros guardados e infectados na alma. E o ranço de ser humano Demasiadamente humano. Pecaminosamente humano. Inexoravelmente humano. E ser deus em cada coisa. E ser único em cada instante diverso. E ser total em cada fragmento. E ser inteiro mesmo que em cacos Esmigalhados pela contundência do tempo. Hoje sou excremento íntimo. Sou confissão aberta. Sou despudoradamente eu juntamente com as circunstâncias Que se agarram ao meu vestido E se ajoelham diante dos meus pés. Hoje sendo outsider posso ver que sobreviver com dignidade e decência é irremediavelmente para muitos poucos. Ao menos esse deserto é vasto e tépido. Tal qual o útero de onde um dia sai. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 23/10/2013
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