![]() |
|
![]() A loucura é um anestésico.
A dor cessa sem razão. E como se o tempo parasse totalmente. Os signos paralisavam em sua trajetória semântica. E o silêncio e a inércia inundam os pensamentos. E tudo que antes fazia sentido e se encaixava perfeitamente Parecerá um dodecaedro Multifacetado e cortado pelas luzes mais distintas. Fragmentado e confuso. A loucura é um anestésico. Cortam-se as ligações com o presente, a realidade ou afeto. O louco não precisa de afeto. Não precisa do reconhecimento. E nem do outro. O outro é apenas um ponto externo perdido num mar de referenciais ultrapassados. Escritos na areia prestes a ser apagados pelo mar da angústia. Os olhos se voltarão para dentro. A procurar no horizonte interior, as razões e desrazões. Os degraus e as rampas onde deslizam a lógica e a metafísica. No bumerangue da memória Não importa mais se passou, se passa ou, se ainda passará O tempo nem existe. A convenção de ser e estar é irrisória. Inepta. Não serve para nada. Cadeiras não servem para sentar. Mesas não servem para comer e pôr os pratos. Móveis, roupas e óculos são dispensáveis. A visão ou o borrão não precisa coincidir Com o que é visto ou percebido. Sentimentos são monumentos como Himalaia. Precisam ser escalados. Vencidos. E depois de rotos e rasgados pela simplicidade óbvia da lucidez. Remendamos o mosaico das visões. Apreciamos o caleidoscópio que misturam emoções e palavras. Cenas e músicas. Falas e olhares. E, no filme nostálgico do passado viajamos no foguete do futuro. A olhar pela janela E nos sentimos passando junto com a paisagem a se despedir continuamente de nossa estória. A deixar reticências como vestígio de humanidade. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 20/12/2013
Copyright © 2013. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


