![]() |
|
![]() O tempo se esvai.
Dissolve os números e as horas. Destrói os minutos. E, personagens e lugares. O tempo é enigma que corrói nossos ossos, nossa pele e nossos passos. Um dia, por causa do tempo não poderei caminhar. Não estará minha presença aqui. Poderá ter estado. Mas, pertencerá a outro tempo. Marcado por outros relógios. Que marcaram indefinidamente. A presença de tudo e todos. O tempo é a chave que abre portas, fases e estações. Decifra silêncios. Molda palavras e frases. E, descreve-se em poesias. É tempo de paz. Sopra o mar lá fora os segredos que a onda guardou... Sopra o vento os sentidos e os movimento das folhas. O tempo é tendência do outono. É a cor da primavera e a tepidez do calor... E a rigidez do frio que ao longo do tempo congela as emoções ainda em nossas veias. O tempo se fragmenta E em cada pedaço, há um compasso. Há metrificação do agora. Então as palavras são contadas mas contam tudo sobre amores ou ódios. As palavras amam per si. Podem dizer uma coisa e sugerir outra... Só o tempo revela a semântica real do que é dito, escrito ou apenas imaginado... O tempo só respeita quem o respeita. Frio e rigoroso. Nos dá a morte, enquanto tudo que queríamos é, paradoxalmente, mais tempo... Tempo para sentir a agonia de estar vivo e sentir a sobrevivência como um registro de paz, nas batidas inexoráveis de um relógio. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 08/03/2014
Alterado em 08/03/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


