![]() |
|
![]() Cai a tarde
Vertical e vermelha Cai a tarde ao peso da gravidade das almas. O bálsamo escorrega no ralo da miséria explícita. O vento traz mensagens cifradas. Uiva dores inconscientes. Corta em pedaços hombridades Verticalmente o sol morre descendo horizonte calado, queimando memórias das redondezas. Geometricamente os raios tornam-se finitos e tocam a terra em difusão sanguínea. Loucura é essa vontade de morrer junto com o sol. Descer aos umbrais do tempo. Desistir de lutar. Entregar o corpo, as armas e o grito. Espreitar-se quieta Encolhida em posição fetal. Prostrada em silêncio ritual E com olhos acompanhar o rubro amainando, violetando-se lentamente até sumir ante a escuridão fatal da noite. Some o dia. Riscado de carmim. Resta a iluminação difusa da rua. A visão é mais imaginária do que percebida. Cai a tarde. Cai a depressão sobre mim. A lei da gravidade não é justa. Ou só nos ajusta ao fim. Customizemo-nos. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 18/03/2014
Alterado em 28/03/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


