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![]() Desistência
Desisti de lutar. Guardei a espada. Guardei o escudo. Encarcerei a armadura no armário. Não quero ter escombros como única herança. Feridas incuráveis. Mágoas infindas. Fossas profundas a jorrar dor e angústia. Desisti de lutar. Entreguei meu corpo. Pendurei minha alma. No píncaro mais agudo. A balançar-se ao relento. Ao conhecer incertezas profundamente. Até que se transformem em certezas. Desisti de informar sobre o certo e o errado, sobre o aqui e agora e ainda, o depois... Desisti de ser o canal de notícias trágicas. De ter tristezas a destilar no orvalho da flor da cozinha. Desisti. Hoje e para sempre. Morrem a guerreira, a quimera e a vaidade. De ter vencido. Ou ter sido vencedora. De ter superado as expectativas. Por ter que surpreender os viventes. Por colher da boca alheia somente impropérios Desisti finalmente E hoje, me apresento em silêncio. Sob a censura da platéia. Diante dos olhares atentos e negligentes. O que eles não sabem que desistiram bem antes de mim. Construiram um império de inércia e vileza. Foram reis absolutos de toda vileza. E, dormem ao invés de viverem. Mas, hoje. Finalmente desisti. Somente para amanhã acordar novamente e desistir de desistir... GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 18/05/2014
Alterado em 18/05/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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