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![]() É um milagre acreditar
em alguém. É um milagre a chuva depois da seca. É um milagre a palavra depois de tanto silêncio. Silêncio mouco. Silêncio mouro. Silêncio, sem reticências, sem alma e sem nada. Silêncio bizantino. É um milagre a porta se abrir. Ver do cais o navio partir para além do horizonte. E na geografia da imaginação perdê-lo. Desaparecer como se fosse apenas memória e nunca real. É um milagre olhar seus olhos. E enxergar alguma vida. Ver alguma expressão bipartida e bipolar... De ira e de amor. De tristeza e alegria. De dúvida e fé. É um milagre o encontro. A interseção de duas ruas, duas rotas, e duas estórias. Duas genéticas. A substanciar-se numa. E escrever o híbrido diferente para sempre. É um milagre tantos se parecerem com apenas um. E um ser tantos ao mesmo tempo. Ser singularmente múltiplo. Ou diversarmente singular. É um milagre esse vento a sussurrar mensagens semânticas que vêm de longe. De outras bocas, outras línguas e culturas. É um milagre reconhecer milagres. Misticismo. Crenças. Novenas. Velas e preces. Navegar entre rituais e símbolos. Todos os milagres em palíndromo Lidos diariamente. Sob diferentes ângulos Em vetores convexos para a alma em ebulição. É um milagre esse fogo não consumir tudo. Apenas acender a capacidade de crer. Crer e descrer. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 24/05/2014
Alterado em 24/05/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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