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Procura-se
Amanhã partirei
Para um caminho sem volta Irei trilhar nas nuvens Atrás do enigma Amanhã partirei E smplesmente Desaparecerei Tudo que restará de mim Serão comentários Serão sussurros Indagações, Metáforas rompidas Pela asfixia Do tempo Amanhã descerei ao Sorvedouro de gente Que tritura ossos, Que pulveriza almas, Não restarão cacos e nem fragmentos Toda minha herança Será poética, Didática, Acadêmica Registrada em papel Em lágrimas Em acenos E, sobretudo pela presença. Meu perfume desaparecerá Não será mais fabricado. Meu nome será sinônimo de enigma Tal qual o triângulo das bermudas E, assim após desaparecer sem Pistas Após ser sugada Pelo enorme buraco negro Que sempre existiu no Universo Renascerei em algum lugar, Me alojarei em algum ventre Terei algumas emoções, Gotículas singelas de afeto Que serão junto com orvalho Minha única água. Amanhã enquanto todos Procuram-me Estarei em alguma nuvem Posada sob a simetria Enigmática dos desenhos mentais. Poderá a nuvem ter forma de carneiro, Ou de cavalo, Poderá a mancha no chão ter Formato de índio ou águia Quem desenhou o quê nesse mundo? Estéticas aflitas procuram Contorno lógico A mente monopoliza o coração e, quando o amor se desfaz solta fios, um a um, lançado no vento, pela vaidade de destruir. E quando só restar poeira e vento Sem velório ou enterro Uma pessoa morre E permanece viva Uma pessoa desaparecerá do cenário E vira parte do script. Só amanhã As palavras verterão livres Da dominação dos homens
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 17/05/2007
Alterado em 17/05/2007 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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