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![]() Estou a exatos vinte e um graus do horizonte
Vejo pássaros voando e planando nas ondas de calor do vento. Entendo sua liberdade em voar sem destino ou simplesmente a procura de comida. Estou a um metro e oitenta centímetros do chão Mas ainda posso sentir minhas raízes, sentir meus outonos repletos de folhas adormecidas cumprindo a promessa da renovação cíclica. Entendo o inverno definitivo. Que congela as águas e as mentes. Meus sentimentos são tão exatos como um dodecaedro com muitas faces, muitos ângulos multiplicado por doze. Em cabala significa que "todos somos um". E que é o número do justo equilíbrio, é o sacrifício no tarô e serve para mensurar corpos celestes, para formar a escala musical, Um número amado pelos alquimistas. Um perfeito múltiplo de três. Vibramos em circunferências perfeitas e concêntricas. Auras e órbitas vivas num mesmo planeta. A interseção trigonométrica tangencia a sobrevivência do mais forte. E deixa inscrições remotas nos murais midiáticos que informa: a selvageria continua. Poemas flutuam ignorando a física, a aceleração gravitacional. Reverberam além o alcance racional. Nutrem-se de química expansiva e conhece a matemátia progressão ao infinito. A rima e a fonética seduzem. A métrica e ortoépia dançam em volta do fogo. Onde se queimam..os pedidos impossíveis, o mendigo maltrapilho de nossa carência e, a superstição boba de não olhar para trás... Esta é a poesia científica. Feita em dígitos contabilizados. Em linhas torpes. Expostas na bandeja da vida. Ou em bandeja do cd. Pintada, vestida e reverenciada em números, equações e em verdades e mentiras. A poesia científica não é bela. É uma substância sem adjetivo. É a sinastria caótica de palavras sorvidas pelo ralo da mente em convulsão. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 26/08/2014
Alterado em 02/11/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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