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![]() Do alto da torre de marfim
Vi a fome que carcomia silenciosa clãs inteiros. A nobre pureza enlameou-se no estreito metafísico da solitária ciência e da imaginária crença. Os sonhos verdadeiros saem pelo chifre bufando indignação e valentia. Os sonhos falsos saem pelo marfim. Do branco que não é branco e nem é negro. E que chegam aos céus dos suicidas. E pulam para morte como se flutuassem. E flutuam como pudessem apenas voar. Estamos imersos em mesmice em essência circundante que gira, rodopia e cai. Há tanta solidão nessa santidade E nenhuma santidade nessa solidão. Há um egoísmo nato. A certeza do cordão umbilical a enforcar nossas raízes genéticas. E nos fazer sobreviver numa bolha possível. No travo seco do caju. Através da mancha deixada pela manga. Ou no respingo de sangue que goteja a vida, no conta-gotas da magia. Quando vejo daqui debaixo as dimensões eclipsadas. Pequenos em grandes. Grandes em pequenos. Espaços, dimensões e pontes. Encaixes e desencaixes. Numa sequência ilógica e fétida. A razão bolorenta. Só quer traçar equações. Quando tudo que temos e resgatamos são inequações apocalípticas. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 06/10/2014
Alterado em 02/11/2014 Copyright © 2014. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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