![]() |
|
![]() Eis que é chegada a hora.
E num instante tudo subitamente acaba. A cortina desce. O palco se apaga As falas, as roupas, os brilhos e o verbo emudecem Ficamos em silêncio. Aguardando a fuzilaria do tempo. A corroer nossos ossos. A fragmentar nossos passos que titubeantes erram o caminho. Erram o erro cotidiano. E comezinho. Eis que a partida é inadiável. Que os relógios não mais atrasam. E o futuro finda sem reticências e sem brinde. Nesse gole de água... talvez o último, a sede não é saciada. Mas o fim é apenas um recomeço. E a morte está cercada de vidas. E a vida cercada de mortes. Perambulamos entre ilhas. E disputamos os oceanos com a maresia e a plenitude cíclica das ondas. Meus segredos voaram pela janela. E pousaram hoje. Salientes sobre a cabeça do Imperador. Meus pensamentos foram reinar sobre o passado. Sobre o corpo que pende não na forca. Mas pendurado na alma que quer ser plena. Fico feliz que meus pensamentos tenham coroado de devaneios o risco provável de algum lirismo.. Lirismo possível. Risível e assimétrico. Matematicamente infinito. Geometricamente findo. Sem arestas para o sol entrar e se despedir do dia... E sangrar por uma tarde inteira. Numa hemorragia silenciosa e sem rimas. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 23/01/2015
Alterado em 24/01/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


