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![]() Se você chegasse antes de eu partir.
Antes de eu me despedir de tudo. De apagar os vestígios e os rastros por toda a casa, por tanto caminho trilhado. Há o meu cheiro ainda nos lençóis. Há fios de cabelos meus no banheiro... Há poesias rabiscadas em mil cadernos com letras alteradas, humores variados e, um gota ressecada de lirismo. Lirismo contemporâneo. Apressado. Expresso. Espumoso. Um jato imaginário, com alma de vidro. Ou um cristal holográfico tatuado na retina. Se você chegasse, antes de eu partir. De fechar a porta. Trancar. Guardar as chaves. E esquecer-se nos segredos da porta. Se você chegasse à beira do cais. E visse os abismos movediços que dormem quietos nas ondas. Ouvisse o marulhar a sussurrar confidências de Netuno. Ou os laivos lascivos das sereias. Meio mulher e meio peixe... Meio desejo e meio arrependimento. Se você entendesse essas metades incongruentes exímias arquitetas de paradoxos e metáforas. Que é preciso abandonar corpos. Você entenderia que preciso partir. Que é preciso se arremessar ao infinito. Que é preciso mergulhar no impreciso Espaço que existente entre um amor e um afeto. Se você entendesse As frestas infinitas que Há nas interseções Talvez, você partisse comigo. Para aventura diária De se perder Para se encontrar. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/04/2015
Alterado em 26/04/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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