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![]() Cai a gota de orvalho no chão. Refestela-se. Esparrama-se. Deita-se sobre o infinito. Mas o sereno em seu perfume contamina as memórias arquivadas. Há muito tempo Cai a folha flanando. Em ritmo de valsa no chão O outono é uma grande valsa Onde tempo se renova, Rodando nos salões cíclicos da vida. E nos mostra a temeridade do sempre. E, que haverá novos seres e esperanças, vão povoar nosso imaginário. Cai a flor madura de seu talo. Pétalas se separam em silêncio. É o fim da primavera. Suas cores feneceram. Seu perfume passou A beleza deixa vestígios inesquecíveis Mas é a verdade, nos deixa temerariamente belos... finitos... plenos e enraizados no pólen que se espalha freneticamente... E, finalmente crescemos, abandonamos a infância entramos no turbilhão de hormônios e, na dança de acasalamento E sobrevivemos somente para o declínio da existência para temer o frio, a queda e os invernos rigorosos. Cheios do gelo da indiferença Cheios de armadilhas para os pés E para bambear pernas e propósitos. Cai mais um orvalho E escorre pelos olhos saudosos. Toda primavera conhece afinal o outono. Todo verão conhece um dia o inverno. Todo ser conhece a poesia irremediável, inexorável. Pois somos rimas insensatas A vagar a procura de um lirismo Perdido em pleno entardecer das almas. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 17/05/2015
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