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![]() Eu parti.
Olhei aquelas espumas do mar. Brancas e límpidas e construi meu esquecimento. Depois, quando vieram os ventos Deixei levar os pensamentos. As lembranças. Uma a uma. E, quando já não havia mais nada de mim. Eu parti de mim mesma. Num barco escuro. Durante uma noite escura e enigmática. Misturei-me a bruma. A névoa que embaça a visão. Que não permite diferenças. Que não discriminam. Eu parti. Meus cacos riscaram o chão do barco. Mas o casco resistiu. Não naufraguei. Não perdi a bússola. Prossegui. Fui para uma ilha imaginária. Aprendi um dialeto exótico. E me naturalizei quase tão naturalmente, como foi partir. As vezes é preciso partir. E, partir mil vezes a procura do improvável. Pensei em voltar. Mas não voltei. Quis verdadeiramente que tudo fosse diferente. Mas, minhas forças limitadas não venceram. Eu parti. E você ficou para atrás. Numa cais estranho cercado de amarras cortadas e repleto de ratos passeiando em busca de abrigo ou comida. Eu parti. Irremediavelmente. O segredo foi olhar para frente procurando no horizonte. Um ponto a decifrar. A louça se quebrou. Os braços envelheceram. Os olhos míopes precisam de óculos. E as pernas ainda precisam do caminho. Partir é preciso. Lógica não é preciso. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 08/07/2015
Alterado em 08/07/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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