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![]() Não me dê bilhetes. Você reclama demais. Seus bilhetes são frios. Seu olhar é um bafejo gélido. Parece que contemplas esculturas e não criaturas. Não me deixe vestígios pela casa. Reticências de presença que não há. Esquecimentos propositais. Entrelinhas impossíveis de preencher. O que lhe peço, encarecidamente deixe-me um pouco dessa poesia que transborda de você, de seus poros, de seus olhos, que encharcam suas lágrimas... Essa poesia intrínseca. Silenciosa. Implícita. Tácita e corrosiva. No seu andar. Na sua caligrafia. Na sua alma esguia. E em seu corpo etéreo. Deixe-me um pouco de sua poesia. Com rima ou sem rima. Com lirismo ou sem lirismo. Com crueldade ou hipocrisia. Deixe-a aqui guardada comigo. Para que ainda lembre o que é humano, demasiadamente humano. Imperfeitamente humano. Amém. Deixe-me o ritual das palavras, dos sentidos, a poesia discreta de sentimentos tímidos e acanhados. Ruborizados pela bizarrice ostensiva... Deixe-me nem que seja uma só poesia que mesmo a mais solitária delas... lotará todo meu multiverso, refletirá em todas câmeras e lentes. E, aumentará minha esperança que anda anêmica e gripada. Sem poesia o mundo morre despido de significado e consciência. Morre de indigência. Dê-me a sua poesia. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 10/07/2015
Alterado em 10/07/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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