![]() |
|
![]() Não temos mais universo.
Não é único e nem uno. Existem milhões de galáxias e planetas.. e essa estrela de quinta grandeza a torrar meus miolos. E a me deixar tonta, pois com as órbitas giro em seu torno e para completar o rodopio, ainda giro em torno de mim mesma. O ballet sideral nos permite ter alguma ilusão. Há milhões de lugares que poderia eu estar. Mas, estou aqui. Exatamente aqui. Numa geografia incongruente. Numa inequação enigmática Não sou aquilo que vejo ou que sinto. Sou mais, sou além e mais fundo. É como se brotasse do fosso mil almas Mil almas novas e inéditas. Almas bastardas e sem curriculum O meu desejo de súbito comparece. Faz recordar-me a infância. Faz-me querer a ingenuidade ao invés da lucidez. Mas estou apenas de passagem. Para um rumo incerto e distraído. Nos mapas vejo os referenciais possíveis. Nos olhos vejo dores e chagas visíveis. Mas, nas almas há um móvel controle, há um gps satelizado. A procurar saídas. A procurar respostas. Como se a fuga fosse sempre possível. Não posso fugir de minha imaginação. Por vezes, releio o que escrevo... E uma dúvida sincera me assola... Como pude escrever tal ignomínia? Como pude expor-me como carne no açougue? É que já fui abatida pelos anos. Pela vida, e pela sensação inquietante de há ainda existe algo a viver. Quero possuir as mil almas de Pessoa. De animais. De plantas. Quero ser um inseto e invadir seu espaço... ler e inocular em seu pensamento, uma gota de saudade. Ou uma gota de remorso. E depois, como num passe de mágica. Voltar para esse caminho diário e nublado aguardando as chuvas do inverno previsível. Voltar ao frio sincero de um corpo parco. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 29/07/2015
Alterado em 29/07/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


