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![]() Misericórdia
Meu silêncio estrito reverbera nas paredes do templo. Faz tremer as vestes dos santos. Em seus olhos gotejavam piedade. Contrição. Clamo por misericórdia. Meu corpo e minha alma não suportam a lama e a dor. Meu corpo está cansado da alma. E minha alma está cansada do peso de meu corpo. Da minha existência encravada em moléculas, patologias e angústias. Minha sanidade se alimenta todos os dias de loucuras. Pela ousadia, pela falta de medo da morte ou do esquecimento. Quando se esquece algo. Morre-se um pouco. Silenciosamente. Sem haver velório,caixão e a famigerada pá de cal que contém a última reverência. A derradeira doação dos vivos. Morremos todos, em silêncio. Na constrição discreta de sobreviver. Rezo de olhar fixo sinto o cheio da água benta, da mirra, do incenso... Percorro todo o altar E no ápice final da oração. Concordo incondicionalmente. Amém. Assim seja hoje e sempre. Na certeza que levo para o túmulo um pouco do infinito... do flash das retinas írritas que apenas veem sem enxergar logo a profundidade das coisas. Há abismos dormentes em nossas mãos. Há vaticínios inseridos em nossos inconscientes. Ler todas essas mensagens é decifrar a vida e amadurecer. Misericórdia! GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/08/2015
Alterado em 22/08/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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