![]() |
|
![]()
silente
todo esse silêncio
enorme muralha surda que sepulta meus lamentos meus gemidos, dores esquecidas e na redoma de cristal os sonhos refletem com a luz do sol bebem orvalho da manhã secam-se com a brisa da tarde e, a noite conversam longamente com a lua cochichando para as estrelas não ouvirem todo esse silêncio e os mortais mais parecem oráculos a profetizar destinos a vaticinar a sorte a errar caminhos e chamarem de arte ou desatino todo esse silêncio repleto de perguntas irrespondidas de culpa, medo e pavor faz da boca uma vergonha que se deve esconder eliminar maquiar discretamente como não houvesse palavras a serem ditas, recitas, declamadas, gritadas a pleno pulmão mudas as palavras transmutam-se em gestos de mãos , de corpos de delicadezas ásperas de belezas agressivas e de crueldade ostensiva. todo esse silêncio e um copo d'água parece um oceano misterioso não se sabe se há morte depois dele, ou antes dele. a morte mora no silêncio numa quitenete sombria da alma.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 21/06/2007
Alterado em 21/04/2008 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|


