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![]() Quando olhei para você.
Só enxerguei aquilo que imaginava. Só via o que no fundo eu mais queria. Um ângulo obtuso misturado com silêncio e hesitação. Um trampolim mirando o abismo. Mas sem o salto. Um meu olhar não lhe enxergou. Olhava para minha própria esperança. Olhava para minha expectativa reticente com a certeza que das sombras surgiriam as criaturas. Acreditava que das fendas, dos momentos emergiriam almas, significados e valores. Como numa mágica estoica. Todas as dificuldades e vilanias curamos com química... Eis que temos pílulas, hormônios, toxina botulínica... Podemos ser sempre felizes, podemos ser sempre viris, podemos ser para sempre jovens, e também belos além de estéticos... Mumificando momentos e expressões faciais.. Eliminamos males genéticos, históricos e do tempo. Infelizmente, tomada de minha cegueira Particular e feudal. Eu, suserana de minha ótica confusa. Eliminei o que havia na realidade. E construí tão-somente a relação imaginária. A intimidade inspiradora do desnudar das palavras, o revelar da pantomina. A revelar segredos óbvios e paixões fugidias. Repetimos pecados. Pecados de nossos pais, de nossos ancestrais de nossos passos tortos que erram o caminho e se descobrem perdidos... Num deserto absoluto de almas e sentimentos. Peço-lhe perdão pela cegueira. Mas talvez tal habilidade Tenha alguma utilidade pois Talvez me tenha conseguido fazer-me sobreviver. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 14/10/2015
Alterado em 14/10/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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