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dama antiga
quando vesti as luvas da confissão
a morte me espreitava como uma dama antiga trajada à caráter e no camafeu pendurado em seu pescoço vi refletida a luz do sol no marfim me fazia lembrar a áfrica distante ninguém deveria ter nascido para ser escravo ninguém deveria ter nascido para ser traído ninguém deveria trazer na alma a morte mas eis que está lá colocada por mãos e luvas colocada pela delicadeza da vida e pelo embrutecimento dos corações mas eis que está lá a senhorinha de sombrinha roxa apoiada na chuva e disfarçando a lágrima seu carmim de pouco rubro chega a ser alaranjado é um ambar perto do camafeu tudo é mágica de vida e morte tudo é vitória-régia aberta no lago do jardim sem peixes tudo é o cheiro de flores a lembrar-nos do velório tudo é repleto de primaveras impressas da infância de doces de sabor improvável mas de um colorido inesquecível no arrebatar das manhãs mas um dia percorre o mundo e a velha senhora comedida aguarda a hora de entrar em cena.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 28/06/2007
Alterado em 28/06/2007 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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