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![]() Fui ficando de lado.
Nos cantos, nas arestas agudas e fechadas. Esquecida diante do tempo. Naufragada num mar de lágrimas. Não adiantava sentir misericórdia. Não adiantava o desejo de saber o que realmente houve. O silêncio com seus fonemas mortos apenas faz soprar o vento da imaginação. Não consigo entender. Não consigo aceitar. Que aos poucos fiquei como parte do cenário. Corroído pelas ações trágicas. Plasmado de violência e espectro. Fui ficando de lado. De aresta em aresta. De esquina a outra esquina. Entre copos e o álcool. Doía menos acreditar que passaria. Mas no fundo eu só adiava... O confabular soturno com a sombra. A mirabolante fantasia de que tudo um dia pode dar certo... As peças não se encaixam O mosaico não se completa. Vem o esquecimento. E toda a história vira uma parábola indecifrável. Sem rimas. Sem cores. Sem vontade de continuar. Espero que você encontre flores ao menos nas exéquias.. Pois suas primaveras murcharam definitivamente... e o pólen não se espalhou... nem pelos pássaros, nem pelas abelhas... e o esperado mel virou o fel fatídico. O primeiro passo em liberdade pode ter sido guiado para o abismo lírico onde nos perdemos exatamente para nos reencontrarmos. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 22/12/2015
Alterado em 22/12/2015 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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