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![]() Meus ouvidos incrédulos
não querem acreditar nos que calam... Nos que se rendem Nos que não lutam. Os vencidos e fracassados que desistiram que jogaram a toalha... deixaram suor e sangue manchando o caminho e apagando as pegadas. Meus ouvidos incrédulos duvidam de fonemas, de bravatas de meristemas As vidas necessárias são inúteis. As palavras necessárias estão no silêncio. Os sentimentos indispensáveis estão impregnados no mais profundo íntimo... encravados no inconsciente Que trai e nos trai com todos perante a todos implicitamente nos tropeços óbvios. Meus ouvidos incrédulos são arredios. Procuram captar as ondas sonoras num surf improvável ou no afogamento banal. Da semântica, restou o signo. Da poesia, restou o lirismo. Do gesto, restou a pantomima. Corpos dançando pelo tempo. Lembranças tingindo os momentos. E a lágrima silenciosa de ter perdido a audição cada dia mais um pouco. Não é a perda da audição que me dói. É a perda da fé. Da esperança de ouvir música boa e palavras santas. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 08/02/2016
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