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![]() Volta o tempo
Em que seus olhos eram meus olhos Volta o tempo Em que seu caminho era meu caminho. E depois com a luz Alguém se transformou em sombra E outro era o corpo sob a luz E o vento apartou tudo. Separou as folhas as falas e as razões. Fez-se silêncio lacônico. Havia um tácito acordo de tédio mortal. Bebíamos veneno lentamente matando o que existia. Purgava-se dor e melancolia. Tua mão ergueu-se para mim Não num gesto de carinho mas em agressão. De parceira virei inimiga. De vizinha virei algoz E o grito de dor fez um mantra catastrófico. Destruiu a lógica de tudo. Depois da hecatombe dos anos. Depois das pedras limadas por muitas chuvas ou lágrimas. Procuras agora o que sobrou? Vestígios virtuais. Visito o teor de cartas e e-mails de gratidão falsa e rendida. Palavras ocas de verbos débeis. Procuras o inconsciente Que dorme no mais profundo íntimo. Procuras a piedade. A misericórdia Como um mendigo a rogar por atenção... Meus olhos míopes são meus e da falta de visão que vem me assaltar com os anos. Meus passos são de caminhos que refiz na empreitada de atravessar desertos. Minha luz não projeta sombras E descobre corpos renovados na descoberta diária da vida. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 09/03/2016
Alterado em 09/03/2016 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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