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![]() Você vai sentir tanto medo.
De abrir a janela e, cair no abismo infinito. De ouvir vozes uivando no vento. E cães discursando sobre abandono. Você sentir medo de elevador. De lugar repletos de desconhecidos. De palavras monossilábicas. Que soaram como bruxedo. Você virá coisas se transformar em rimas, em sílabas e, em vogais perdidas na música de um coral invisível. Você vai ter uma amnésia brutal e apagar todos os registros. Então, o azul do céu, lhe será inédito e lindo. O primeiro sorriso avistado será uma benção... A primeira mão estendida será um abrigo. Não existirão mais diferenças Nem melaninas. Nem gêneros, ideologias ou crenças. Todas as pessoas se aceitaram tacitamente Numa convenção silenciosa e pacífica. A mediunidade nos informará sobre a ciência. A ciência nos informará sobre a vida. E, a vida se traduzirá em versos, prosa e poesia. Teremos uma chuva de verdades inconvenientes E brincaremos na lama da vaidade. Teremos um controle remoto que nos guiará as cegas em direção da felicidade. Seremos obrigados a ser felizes. Serems obrigados a ser lúcidos. Seremos obrigados a ser atentos. Seremos obrigados a ser humanos. Ainda que apreciemos os robôs. Ainda que flertemos com a perfeição inverossímil da engenharia genética. Vou arquitetar um plano infalível para sempre falhar sorrindo... Você vai morrer de medo. Quando perceber que tudo é previsível. E perecível. Que a liberdade está inscrita em nossos corpos, em nossas histórias e, a mão oculta do acaso nos liberta para fazermos sempre as mesmas escolhas. Para sentir a mesma responsabilidade. Para abominar sempre a mesma insanidade. Para sermos sempre diversos e incongruentes. E, na loucura nossa de cada dia. Alimentar-se de pão e fé. Alimentar-se de rezas e afetos. Alimentar-se do terror poético. Em tropeçar em palavras. E cair na armadilha do lirismo. Na certeza de tantas incertezas. Do mar que inunda a seca. Do sol que frio ainda aquece. E na ausência que sinto de você e finjo que não percebo. O inconsciente monitora tudo, registra para aterrorizar depois. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 18/07/2016
Alterado em 18/07/2016 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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