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![]() Tenho tanto a lhe dizer.
Tantas frases decifráveis. Tantas reticências finitas E uma semântica engasgada no peito. Há uma misericórdia nesse meu sentimento agráfico... Seria mais fácil escrever Sorver no papel todos os símbolos como uma esponja, processando tudo que tenho a dizer... Tenho síndrome de Desdêmona A cada Otelo, morro sufocada. A cada mouro, vencida estou rezando o terço inteiro na certeza de ser pecadora. E ir na direção do pecado. Tenho tanto a lhe dizer. A lhe explicar. Quero ser uma nota de rodapé falante... Que decifra os enigmas Que descobre senhas Que clarifica as trevas E da luz faz o mistério de descobrir-se. Um desnudar-se vestida. Trajada de cores e significantes. Perdoe-me pelo vício poético. Quando chego até você é como se aproximasse do infinito, e no abismo, as palavras fogem, os pensamentos cristalizam como se fossem estalactites no teto de meu espírito. Pouco a pouco meu corpo concreto se abstrai... Se contrai e esboça o gesto. E desenha a fisionomia. Meus pensamentos são perfuro-contundentes perfuram o espírito e a tua aura com vigor. Desejo semear-te o afeto... Mas, agora que estou bem diante de seus olhos contemplativos... E vejo dentro de seus olhos a minha figura refletida... a minha exata pequenês. Não tenho coragem de falar-lhe. De pronunciar-me. Rendo-me ao silêncio como a uma mantra a ouvir-lhe sem querer decifrar sem querer retrucar. Meus olhos acompanham suas palavras como em procissão... Em meu semblante paralisado Há palavras fossilizadas. Há rimas subr-reptícias. Há lirismo embutido e disfarçado Mas é contemporâneo e fugaz. É uma gaveta paradoxal que tudo guarda e dissemina. No cabaré das ideias danço em sentido anti-horário Para o tempo não passar... E, eu continuar cativa de sua presença. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 25/07/2016
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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