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![]() Então lentamente fui embora
Fui sumindo nas sombras No encardido da tarde No bege barrento Fui voltando para a dimensão primordial Poderia ter me despedido. Poderia ter escrito uma carta. Um bilhete ou até talvez alforria. Seriam palavras e não gestos. Não ergueriam meu corpo. Não moveriam meu espírito. O gesto de ir embora. De simplesmente desistir. De partir sem deixar reticências. Sentirás falta de mim? Sentirei falta de você? Jamais responderei a essas perguntas. Ficarão encravadas no silêncio da calçada.. Há pedras duras no caminho. A marcar por onde andar. Mas, eu quero ir para o infinito. Quero ir para um lugar inacessível. Onde consiga ficar a sós com meus pensamentos. Onde eu possa brigar em paz com as poesias. E, com as rimas hipócritas que fingem gostar de mim. Quero ir embora das primaveras sem flor Invernos sem frio E verões sem amores derretidos feito sorvete. Quero ser o outono. Ser o outro na próxima esquina. Ser a surpresa inusitada E, não a presença exata. Esperada e medida. Os números que me descrevem são decrescentes... São indecentes. Pecam por excesso ou por falta. Há mais espaço em partir do que ficar. Talvez o exato lugar que eu ocupava apareça clarividente em sua alma. Numa projeção simbólica. Daquilo que realmente fui. Daquilo que plantei. Mas, não germinou. Foram promessas, suspiros e devaneios. E, a partida, foi talvez a justa e única medida. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 12/08/2016
Alterado em 12/03/2018 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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