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![]() Preciso de razoável destreza com verbos Principalmente os mais difíceis Como correr e corrigir Preciso de razoável destreza com pronomes principalmente os de tratamento Nâo chame o papa como se fosse reitor E nem o reitor como se fosse cônego... O erro nas hierarquias fazem desabar escadas. O degrau é a metáfora do jogo de poder Preciso de destreza Mas nasci geneticamente desajeitada grande demais pernas longelíneas braços longos ombros largos para rugby No mapa da cidade me desloco como um soldado em marcha Miro o alvo e atiro, sem perguntar. Meus passos são dardos ao infinito. Perdidos em caminhos laboriosos. Foram abolidas expressões como: com licença, por favor... Cadê a civilização? Não, a egípcia. Vivemos a truculência intrínseca de palavras mínimas, instantâneas e de sentimentos retardatários. Mas íntimos e afiados. Vivemos entre farpas de olhares ríspidos de críticas cáusticas, de sarcasmo cirúrgico... Limamos consciência Como lixamos unhas. Como costuramos bainhas. Limpamos culpa com a sanitária ilusória de que somos vítimas das circunstâncias... Ainda preciso de destreza. As palavras na camarinha semântica fazem dormir os reais significados. Tudo que nos resta são significantes aturdidos pelos ventos e tempestades. Destreza. Mãos ágeis e habilidosas Tecem uma história com palavras e gestos. Com imagens e sons. Com cores e luzes. Com silêncio e poesia. Tenho a esquerdeza do lirismo bêbado e infantil. E brinco de amarelinha sem nunca alcançar o céu. GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 12/08/2016
Alterado em 12/08/2016 Copyright © 2016. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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